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Quando o projeto de igreja na verdade é uma Torre de Babel

Impérios Disfarçados de Reino: Quando o Projeto de Igreja na Verdade é uma Torre de Babel.

Muitos líderes religiosos hoje têm se especializado em transformar projetos pessoais em supostas visões divinas. Dizem que receberam sonhos, revelações e profecias sobre uma igreja cheia, uma obra grandiosa. E quem ouve, imagina famílias sendo alcançadas, vidas sendo transformadas. Mas, na verdade, o que está sendo construído não é o Reino de Deus — é o império do pastor. Assim como em Babel, o objetivo não é glorificar o nome de Deus, mas tornar o nome do líder conhecido, respeitado e exaltado. A igreja vira marca, e o pastor vira celebridade.

 “Depois disseram: ‘Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra.’”
— Gênesis 11:4

Tudo começa com uma suposta “visão de Deus”. O líder afirma que recebeu um sonho, uma profecia, uma revelação. E com isso se coloca como o único intermediário entre Deus e os homens. Os membros, por reverência ou medo, não questionam. Não há transparência nos gastos, nas decisões, nos objetivos. Tudo é centralizado na figura do pastor, e qualquer tentativa de cobrança é vista como rebeldia ou falta de fé. A opressão se disfarça de autoridade espiritual.

O segundo passo é o investimento pesado em construções e tecnologia. Como em Babel, onde se usavam tijolos e betume em vez de pedras naturais, hoje se investe em estruturas artificiais que parecem espirituais, mas não têm essência.

 “Disseram uns aos outros: ‘Vamos fazer tijolos e queimá-los bem.’ Usaram tijolos em lugar de pedras, e betume em lugar de argamassa.”
— Gênesis 11:3

Os recursos dos membros são direcionados para templos monumentais, equipamentos de última geração, eventos que impressionam. Tudo é apresentado como se fosse “para o povo”, como se o pastor estivesse “dando” algo à igreja. Mas a verdade é que foram os próprios membros que pagaram — com dinheiro, tempo, saúde e até sacrifícios que ultrapassam seus limites. Muitos doam mais do que podem, acreditando que estão investindo no Reino, quando na verdade estão financiando o ego de um homem.

O crescimento desses impérios é vertical. A igreja é glorificada junto com o líder. Há camisetas, slogans, marketing, eventos que exaltam a estrutura e o pastor. A espiritualidade é medida pela participação nos projetos, pelas contribuições financeiras, pela obediência irrestrita. No Reino de Deus, o crescimento é horizontal. Jesus é exaltado, e as relações são de igualdade, comunhão e serviço mútuo. O foco é partilhar, não impressionar. O verdadeiro Reino não se constrói com manipulação, nem com tijolos de vaidade. Ele se constrói com verdade, humildade e serviço.

Enquanto o império cresce, os membros pagam o preço. Pagam com dinheiro, com tempo, com saúde física e mental. Trabalham de graça, se doam sem limites, tudo “em nome do Reino”. Mas o Reino não cresce — quem cresce é o patrimônio da igreja, a fama do pastor, o número de seguidores. E quando alguém questiona, pede transparência ou sugere mudança, é visto como rebelde, como alguém sem fé. A espiritualidade vira escudo para esconder a opressão.

E há um ponto ainda mais grave: Deus é deixado de lado. O império disfarçado de igreja é o que recebe admiração. As pessoas não adoram a Deus — elas adoram o espaço, a música, os líderes. É comum ver membros vestindo camisetas com o logo da igreja, carregando a marca como se fosse um símbolo de fé. Em alguns casos, os pastores e líderes até obrigam os membros a usarem essas camisetas em eventos, cultos e até fora da igreja. Não é o nome de Jesus que aparece — é o nome da instituição. A glória é desviada do Senhor e colocada sobre o império humano.

Algumas pessoas até percebem os abusos, mas continuam por medo ou por uma lógica distorcida: acreditam que, mesmo com erros, estão agradando a Deus. Pensam como Maquiavel — que os fins justificam os meios. Dizem: “Está errado, mas é visão de Deus”, “É projeto de Deus”. Outros permanecem porque têm medo de sair e ver a família desestruturada, já que ali todos se sentem bem. Mas esquecem que no Reino de Deus, não é o pastor que deve ser agradado, nem o ambiente que deve ser confortável — é Cristo que deve ser exaltado. O Reino não é sobre conveniência, é sobre verdade.

A Torre de Babel foi interrompida por Deus porque era um projeto que afastava as pessoas Dele. Ele desceu, confundiu a linguagem e dispersou os construtores, porque o projeto não era sobre comunhão — era sobre controle.

“O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. E disse o Senhor: ‘Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso; em breve nada poderá impedir o que planejam fazer. Venham, vamos descer e confundir a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros.’”
— Gênesis 11:5–7

O Reino de Deus não é Babel — é Pentecostes. Em Babel, as pessoas queriam tornar seus nomes conhecidos, criar hierarquias, diferenciar os membros pelo quanto contribuem, e oprimir em nome de um projeto. Em Pentecostes, todos ouviram em sua própria língua, houve comunhão, partir do pão, igualdade entre os irmãos. O crescimento foi horizontal, e o nome exaltado era apenas um: Jesus.

Na comunidade de Pentecostes, ninguém estava preso a logos de igreja, mas ligados ao nome de Cristo. A doação era voluntária, sem opressão. Os recursos eram usados para alimentar pessoas, não para inflar o ego de líderes. Jesus era o nome conhecido, Jesus era o nome adorado.

Sirva a uma comunidade de Pentecostes. Fuja das torres de Babel.

Tales Alencar

Sou Marido da Lari, Pai do Theo. Bel em Administração de Empresas, analista de FP&A. Pós graduado em Ciência de Dados pelo Mackenzie e Especialista em Ministério Pastoral pela Faculdade Batista Pioneira.

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